A campanha cruel contra filme sobre morte de criança palestina indicado ao Oscar

No dia 29 de janeiro de 2024, a pequena Hind Rajab, de apenas seis anos, foi morta por um bombardeiro Israelense depois de passar horas aguardando resgate em um carro cercada pelos corpos de seus tios e primos. O caso que ilumina a violência contra civis em Gaza chocou o mundo há dois anos, e ganhou retrato sensível no longa A voz de Hind Rajab, que chega nesta quinta-feira, 29, aos cinemas brasileiros e concorre ao Oscar de melhor filme internacional — levando o conflito atual para a principal premiação do cinema.

Vencedor do Leão de Prata em Veneza, o longa foi bem recebido pela critica, mas caiu na malha fina da polarização política e virou alvo de uma campanha cruel por parte de apoiadores de Israel. Segundo a diretora franco-tunisiana Kaouther Ben Hania, a equipe do longa recebeu uma enxurrada de e-mail ameaçadores logo depois da estreia do filme em Veneza. “Meus produtores, incluindo os conhecidos nomes americanos Brad Pitt e Joaquin Phoenix, tiveram suas caixas de entrada inundadas com milhares e milhares de mensagens intimidatórias”, disse ela à agência de notícias AFP, explicando que uma mesma mensagem foi enviada por diversos endereços, com tom “extremamente ameaçador”.

Além do episódio em Veneza, o longa também precisou lidar com a resistência do mercado Hollywoodiano, que impôs dificuldades à distribuição do filme no país. Apesar de todos os três filmes anteriores de Ben Hania terem sido distribuídos no país por grandes nomes da indústria, o teor político do longa fez com que os grandes nomes da indústria não investissem na trama. Em entrevista ao Deadline, um dos principais representantes do mercado americano disse que muitos compradores desistiram do filme “por medo e/ou por discordarem da posição política” da trama. Outro distribuidor destacou que, independente da posição política de cada um, o filme seria “foco de controvérsia” e “ofuscaria qualquer outro lançamento que da distribuidora na temporada.”

Lançado nos Estados Unidos em dezembro, o filme acabou sendo distribuído no país pela Willa, parceira na produção do longa que foca na distribuição de tramas com relevância social e cultural. Entre os concorrentes a melhor filme internacional exibidos no país, o longa é o segunda com a menor bilheteria, atrás apenas de Sirât. Levando em conta a arrecadação Global, o filme fica na lanterna, também por conta da dificuldade de distribuição — o que acabou enfraquecendo a trama na temporada de premiação.

O que aconteceu com Hind Rajab?

O longa retrata a história real da garota palestina de seis anos cujo carro em que fugia com os tios e primos foi alvejado por militares israelenses em janeiro de 2024, em Gaza. Cercada por corpos, a criança que batiza o longa conseguiu contato por telefone com agentes da organização humanitária do Crescente Vermelho — que se esforçaram para acalmá-la enquanto tentavam, desesperadamente, liberar uma rota segura para que socorristas chegassem até ela. Quando a ambulância, enfim, conseguiu se aproximar da garota, uma nova leva de disparos atingiu o, matando Hind e os dois socorristas que tentavam resgatá-la.

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Diretora da trama, Ben Hania conheceu a história através de trechos do pedido de socorro da garota que viralizaram nas redes sociais. Depois de ouvir a gravação completa, trabalhou no filme por um ano, usando pedaços reais da ligação na trama. “Às vezes, o que você não vê é mais devastador do que o que você vê”, explicou certa vez sobre a escolha de usar uma tela preta nas partes em que a voz de Hind é reproduzida.

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