“Que roteirista é esse?”, perguntou a participante do BBB 26 Ana Paula Renault, aos prantos e com uma pitada de seu característico humor, ao apresentador Tadeu Schmidt no programa da noite deste domingo, 19. A dois dias da final do programa, Ana Paula recebeu a notícia de que seu pai, Gerardo Renault, havia morrido. Tadeu, quebrando protocolos, compartilhou com a finalista que também está em luto. “Meu irmão morreu antes de ontem”, falou ele, chorando, sobre a partida do jogador de basquete Oscar Schmidt. A cena provocou lágrimas, dentro e fora do programa.
Como diz o nome, o reality show tem a proposta de ser uma realidade espetacularizada. É importante ressaltar o termo “espetáculo”: atrações como o Big Brother Brasil envolvem roteiros, prêmios, provas e condições de pressão e temperatura pouco comparáveis à vida real. Logo, a realidade de fato raramente dá as caras – exceto pelo capítulo deste domingo. A dor do luto extravasou as telas da TV, assim como sua rara beleza.
Ana é finalista ao lado de seus dois maiores aliados, Milena e Juliano. Em um desabafo emotivo, ela expôs o sentimento de solidão que o luto costuma ressaltar: órfã de mãe desde a adolescência, agora, ao perder o pai, Ana afirma que não tem mais ninguém no mundo. Milena prontamente respondeu: “você tem a mim”. Mais tarde, a amiga se deitou com Ana e prometeu até não soltar flatulências na cama, causando riso. Assim, o luto se manifestou em sua expressão mais sincera: desde a notícia, Ana ficou em choque, chorou, se controlou, chorou novamente, riu e, mais importante, contou com o apoio dos que continuaram ao seu lado. Como diz a autora Ana Cláudia Quintana Arantes, no livro A Morte É Um Dia Que Vale a Pena Viver, “a energia do afeto não evapora”. Isso vale para aplacar a dor da ausência de um ente querido – mas também para iluminar a presença dos que ficaram.