
Professora cria sistema para monitorar alunos que ‘farmam aura’
Você dispensaria o presentão de ganhar um ponto extra na média final da escola? Os pré-adolescentes de 2026 não estão ligando muito para isso. O que realmente os move é a possibilidade de… farmar aura.
Foi usando essa terminologia jovem que a professora Vilma Gama, de 51 anos, criou um sistema de controle de disciplina nas turmas de 6º a 9º ano do Colégio São Gabriel, em Osasco (SP).
O aluno fez a lição de casa? Levou o material para a aula? Respeitou o amigo? Ganhou 1.000 pontos no painel de aura. Esqueceu o livro? Não fez a atividade? Certamente vai ouvir o deboche de outro colega: “Ihhhh, perdeu aura!”.
✨Afinal, o que é farmar aura? “Farmar” é uma expressão vinda de jogos eletrônicos como Minecraft e Fortnite: significa cumprir alguma tarefa para acumular recursos, pontos ou experiências. E “aura” é o carisma ou a energia que alguém transmite. Ao farmar aura, a pessoa acumula feitos que a transformam em alguém inspirador e interessante. Leia mais aqui.
Painel Aura monitora pontuação de alunos
Arquivo pessoal
“O melhor jeito de manter os alunos prestando atenção é dizer que vão perder aura. Acaba pegando onde ficam mais fragilizados. No fim do dia, perguntam: ‘e aí, professora, farmei aura?’”, conta Vilma.
E não pense que a parte contábil é amadora: a docente criou um painel eletrônico para registrar o ganho e a perda de aura dos alunos. O objetivo é que cada pré-adolescente chegue ao final do bimestre com 5 mil auras para ganhar uma nota extra.
“Mostro para eles como está a pontuação e sempre dou a chance de recuperarem aura fazendo as atividades”, conta.
“É uma plataforma gamificada, em que cada criança pode também ter uma skin [fantasia]: tem a do arqueiro, a do mago, a do curandeiro… O poder do mago, por exemplo, faz farmar mais aura. Mas é preciso ser merecedor dessa conquista.”
LEIA TAMBÉM: ‘6 7’, ‘six seven’: por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês
Faz três semanas que a professora implementou esse sistema nas disciplinas que ministra na escola (Projeto de Vida e robótica). Segundo ela, o sucesso absoluto já gerou o interesse de outros professores, como o de matemática.
“O docente que não é flexível para entender a molecada fica à margem. A gente precisa entrar na deles e entender o que estão falando”, diz Vilma, incontestavelmente farmando aura com seu projeto.
Professora Vilma Gama, de Osasco (SP), usou a moda da ‘aura’ para engajar alunos
Arquivo pessoal
O que é ‘farmar aura’?
‘Farmou’: professora cria sistema digital de aura para estimular alunos e evitar bagunça
PUBLICIDADE
Mais recentes
PUBLICIDADE